A direita brasileira é uma realidade política, com base consolidada e sinais de que seu espaço já pode ser maior que o da esquerda. Muitos que votaram em Lula não são de esquerda. Confundir escolha eleitoral com adesão ideológica impede compreender o país e ampliar apoios.
Por isso, precisamos parar de perder para nós mesmos. Os ajustes são necessários tanto na direita tradicional quanto no que se convencionou chamar de direita bolsonarista. Há força nos dois campos, mas também limites a superar.
A direita tradicional precisa compreender a transformação de sua base. O eleitor exige posições claras, coerência e firmeza. Não basta esperar o retorno dos antigos protagonistas nem ignorar a força que o bolsonarismo construiu.
A direita bolsonarista precisa reconhecer que mobilização, presença nas redes e identidade ideológica não substituem a maturidade necessária para conquistar a maioria e governar. Liderar exige ouvir, respeitar aliados e conversar com quem pensa diferente.
O excesso de confiança e o ambiente do “já ganhou” afastam a campanha da realidade. Eleição só se ganha quando termina. Até lá, cada atitude pode aproximar ou afastar quem ainda está decidindo seu voto.
Uma disputa nacional exige conexão com a vida concreta: renda, emprego, segurança e perspectivas para as famílias. A indignação mobiliza, mas precisa vir acompanhada de propostas e confiança. Não podemos falar apenas para quem já concorda conosco.
A direita tradicional erra ao imaginar que recuperará seu espaço sem mudar. A bolsonarista erra ao acreditar que não precisa amadurecer. O caminho é reunir experiência e renovação, convicção e diálogo, firmeza e responsabilidade.
Ampliar apoios não exige abandonar princípios. Exige reconhecer que ninguém vence sozinho. Precisamos transformar essa força em maioria eleitoral, sem permitir que nossos erros impeçam a vitória.
Publicado originalmente em Zero Hora, em 4 de novembro de 2026.
Por Jerônimo Goergen, advogado e presidente do Instituto Liberdade Econômica (ILE)