A adoção do B50 pela Indonésia mostra que o Brasil tem condições de avançar para o B17
Enquanto o Brasil aguarda testes para avançar para o B16 previsto pela lei Combustível do Futuro, a Indonésia acaba de dar um passo muito maior. Desde 1º de julho, o país iniciou a implementação do B50, uma mistura composta por 50% de biodiesel e 50% de diesel fóssil.
Não se trata de um movimento improvisado. É uma decisão baseada em testes, planejamento e na compreensão de que ampliar o uso de biocombustíveis fortalece a economia, reduz a dependência energética e gera desenvolvimento.
O mandato do biodiesel para este ano naquele país foi de B40 nos primeiros seis meses. Com o B50 de julho a dezembro, a Indonésia deve economizar quase US$ 9 bilhões com importação. Os subsídios ao biodiesel deverão cair para US$ 1,8 bilhão, apesar do aumento do consumo.
Esse exemplo precisa servir de reflexão para o Brasil. Temos uma indústria madura, capacidade instalada, matéria-prima disponível e uma das regulamentações mais rigorosas do mundo para garantir a qualidade do biodiesel.
Nossos padrões de controle são, inclusive, mais exigentes do que os adotados pela própria Indonésia em aspectos importantes da especificação do combustível. Se eles conseguiram avançar para o B50, não há razão para que o Brasil continue adiando uma medida muito mais modesta, como a adoção do B17 no curto prazo.
O setor produtivo tem colaborado diretamente com o Ministério de Minas e Energia para antecipar os testes necessários, disponibilizando equipamentos e estrutura para acelerar as avaliações. Isso demonstra responsabilidade e compromisso com a segurança operacional. Mas também reforça uma convicção: já existem fundamentos técnicos suficientes para avançarmos.
Os benefícios são evidentes. O Brasil ainda importa cerca de 25% do diesel que consome. Cada ponto percentual de aumento na mistura representa menos importação, mais processamento industrial, fortalecimento do agronegócio, geração de emprego, renda e arrecadação em diversas regiões do país. A própria Indonésia estima uma economia bilionária ao ampliar sua mistura, reduzindo significativamente os gastos com importação de diesel.
Neste momento, essa discussão ganha um significado ainda maior para mim. A Aprobio completa 15 anos de atuação defendendo o fortalecimento dos biocombustíveis como política de Estado. Ao longo dessa trajetória, vimos o biodiesel deixar de ser uma promessa para se tornar uma realidade estratégica para o Brasil.
Celebrar esses 15 anos é reconhecer o quanto avançamos, mas, principalmente, lembrar que ainda podemos ir muito além. O mundo está acelerando sua transição energética. O Brasil reúne todas as condições para liderar esse processo. Agora, precisamos transformar esse potencial em decisão.
* Jeronimo Goergen é presidente da Aprobio – Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil