O biodiesel já é uma alternativa real e viável ao diesel fóssil — o que falta é decisão política

A crítica feita por economistas ao uso de receitas do petróleo para financiar a desoneração de combustíveis é correta — e revela um problema mais profundo. O Brasil insiste em tratar um desafio estrutural com medidas paliativas. Em vez de reduzir a dependência do petróleo, opta por administrar seus efeitos, ainda que de forma fiscalmente arriscada e temporária.

Mas essa discussão precisa avançar.

Se há um consenso de que subsidiar combustíveis fósseis com recursos voláteis não é o melhor caminho, então é preciso perguntar: qual é a alternativa?

O Brasil já tem essa resposta. E ela não é teórica, nem distante. Ela está em operação, todos os dias, em todo o território nacional: o biodiesel.

Hoje, o diesel consumido no país já contém cerca de 15% de biodiesel. Isso representa menos importação, maior segurança energética e mais estabilidade frente às oscilações do mercado internacional. É uma política que atua na origem do problema — e não apenas nos seus efeitos.

Ao contrário da desoneração baseada no petróleo, que consome recursos públicos e não deixa legado, o biodiesel gera desenvolvimento interno. Movimenta a cadeia do agronegócio, fortalece a indústria nacional, cria empregos e mantém renda circulando dentro do país.

Além disso, é uma solução que combina eficiência econômica com responsabilidade ambiental. Reduz emissões, melhora a qualidade do combustível e posiciona o Brasil de forma estratégica na transição energética global.

O ponto central é simples: o país já tem uma alternativa concreta, escalável e competitiva. O que falta não é tecnologia, nem capacidade produtiva. Falta decisão política e coerência na condução da política energética.

Se os economistas estão certos ao criticar o uso de receitas do petróleo para sustentar combustíveis fósseis — e estão — então é hora de dar o passo seguinte.

Não basta reconhecer o erro. É preciso corrigir o rumo.

O Brasil já mostrou, com o etanol, que sabe transformar uma escolha energética em política de Estado. O biodiesel é o próximo capítulo dessa história.

A pergunta, portanto, não é mais sobre viabilidade.

É sobre escolha.

E diante de tudo isso, ela se impõe de forma direta:

E por que não o biodiesel?

Jerônimo Goergen
Presidente da APROBIO