Artigo publicado originalmente no portal Poder360 em 23 de maio de 2026.

O avanço para o B16 representa soberania energética, fortalecimento da indústria nacional e mais renda interna

O Brasil construiu, nas últimas décadas, uma das mais bem-sucedidas políticas de biocombustíveis do mundo. Transformamos competência agrícola, inovação industrial e visão estratégica em energia limpa, renovável e produzida dentro de casa. Agora, mais uma decisão importante se apresenta: avançar para o B16, que representa uma mistura de 16% de biodiesel ao diesel fóssil.

Pode parecer apenas um ponto percentual na mistura do biodiesel ao diesel. Mas, para um país com a dimensão do Brasil, esse 1% significa muito. Significa bilhões de reais movimentando a economia nacional, maior processamento industrial, fortalecimento da cadeia da soja e de outras matérias-primas, mais empregos, mais arrecadação e menos dependência externa.

Cada litro de biodiesel produzido aqui substitui parte do diesel fóssil importado. E isso vai muito além da questão energética. Trata-se de segurança nacional, previsibilidade econômica e proteção contra as instabilidades geopolíticas que afetam o mercado internacional de petróleo.

O Brasil não está começando essa caminhada. Temos tecnologia validada, motores preparados, capacidade industrial instalada, logística estruturada e uma cadeia produtiva madura. O setor está pronto. Ao ampliar a mistura para B16, estimulamos investimentos, damos previsibilidade para quem produz, fortalecemos cooperativas, agroindústrias, esmagadoras, usinas e milhares de produtores rurais que fazem parte dessa cadeia.

Além do impacto econômico, há um benefício ambiental inquestionável. Mais biodiesel significa menos emissão de gases de efeito estufa, menor pegada de carbono no transporte e mais protagonismo do Brasil na agenda global da transição energética.

É incoerente um país que lidera a produção mundial de alimentos, domina a tecnologia dos biocombustíveis e possui capacidade produtiva instalada continuar dependente de volumes expressivos de diesel importado.

O avanço para o B16 não é apenas uma meta técnica. É uma decisão estratégica. É escolher produzir energia com aquilo que o Brasil tem de melhor: sua capacidade produtiva, sua indústria e sua vocação para liderar a economia de baixo carbono.

Mais biodiesel brasileiro. Menos diesel importado. Mais competitividade, mais sustentabilidade e mais soberania para o Brasil.


Jerônimo Goergen, 50 anos, é advogado e foi Deputado estadual e federal pelo Rio Grande do Sul. No Congresso Nacional, criou e foi presidente da FPBio (Frente Parlamentar Mista do Biodiesel), atuando na defesa da previsibilidade regulatória, da qualidade do combustível e do papel estratégico dos biocombustíveis na matriz energética nacional. É presidente da Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil) e da Acebra (Associação das Empresas Cerealistas do Brasil).